terça-feira, 26 de abril de 2011

UM GLOSSÁRIO VANTILIANO - PARTE 1

John Frame

Traduzido com algumas adaptações, como por exemplo, as numerações dos verbetes e a numeração das páginas. São 60 vocábulos que serão postados por partes. O artigo original encontra-se em ordem alfabética. As notas de rodapé são do tradutor.

Referências

Bahnsen
= Greg L. Bahnsen, Van Til’s Apologetic: Readings and Analysis (Phillipsburg: P&R, 1998).

Frame
= John M. Frame, Cornelius Van Til: an Analysis of His Thought (Phillipsburg: P&R, 1995).

VT
= Van Til

Glossário


1. Personalidade Absoluta: Caracterização básica de Deus em Van Til. Diferente de qualquer visão não-cristã, o Deus bíblico é absoluto (a se, autoexistente, auto-suficiente, autocontido) e pessoal (pensando, comunicando, agindo, amando, julgando). Veja Frame, 51ss.

2. Ad hominen: Argumento que expõe deficiência no argüidor, ao invés das deficiências na proposição sob discussão. Então, é uma falácia lógica. Porém, muitas vezes o argumento ad hominem é apropriado. Ver Bahnsen, 116ss, 468, 492; Frame, 153.

3. Plenamente Condicionado – Caracterização de Van Til de Deus em “Por que Creio em Deus”(ver Bahnsen, 121 – 143). Deus é o único quem, no final das contas, influencia toda realidade, incluindo nossos próprios pensamentos e raciocínio sobre Ele.

4. Analogia, Raciocínio Analógico - (1) (Aquino) Pensamento em linguagem que não é nem literalmente verdade (unívoco), nem desassociado ao tema (equívoco), mas que tem uma semelhança genuína com aquele tema. (2)(VT) Pensamento em sujeição à Revelação de Deus e, por isso, pensa os pensamentos de Deus depois Dele.

5. Antítese – A oposição entre o Pensamento Cristão e Não-Cristão. Veja Frame, 187ss.

6. Apologética – o ramo da Teologia que dá razões para nossa esperança. VT via [a apologética] como envolvendo prova, defesa e ataque.

7. A priori – Conhecimento adquirido antes da experiência, usado para interpretar e avaliar a experiência. Contrasta com o conhecimento a posteriori, conhecimento surgido como resultado da experiência. Veja Bahnsen, 107n, 177.

8. Autoridade do Especialista – submissão ao conhecimento de alguém melhor informado, ao invés da submissão absoluta a Deus como o critério da Verdade. Para VT, este é o único tipo de autoridade que o incrédulo aceitará.

9. Autonomia – a tentativa de viver aparte de qualquer lei externa a si mesmo. Para VT, este é a atitude padrão da incredulidade. Ver Bahnsen 109 e nota.

10. Metodologia Blocause (do Suposto Consenso)(ver nota 1) : Uma abordagem apologética que começa com as crenças supostamente em comum entre crentes e descrentes, então tenta completar este terreno comum com uma verdade adicional. VT considera esta metodologia na distinção de Tomás de Aquino entre razão natural e fé, e em outras formas de "apologética tradicional”. Ver Bahnsen, 64, 535s, 708s

11. Capital Emprestado – a verdade conhecida e reconhecida pelo incrédulo. Ele não tem direito a acreditar ou asseverar a verdade em termos de suas pressuposições, mas apenas sobre dos Cristãos. Então, suas declarações da verdade são baseadas em capital emprestado(ver nota 2).

12. Fato Bruto – (1)(em VT) fato não interpretado (por Deus, pelo homem ou por ambos) e, por conseguinte, é a base para toda interpretação; (2) fato objetivo: fato não dependente do que o homem pensa sobre ele.

13. Certeza – (1) segurança da crença de alguém (também certitude). (2) a impossibilidade de uma proposição ser falsa. VT enfatiza que a Verdade Cristã é certa e deveria ser apresentada como uma certeza, não como mera probabilidade (q.v)

14. Acaso – Eventos que ocorrem sem causa ou razão. Ver Bahnsen, 728.

15. Argumento Circular – (1) argumento no qual a conclusão de um argumento é uma de suas premissas; (2) argumento que supõe alguma coisa que, de forma geral, não seria presumido por alguém que não cria na conclusão. Ver Bahnsen, 518ss, Frame, 299ss.

Notas:


1. Por sugestão de um amigo tradutor (Marcos Vasconcelos), foi preferido traduzir o termo “blockhouse” como “blocause”. Dentro do contexto vantiliano, bem pode ser entendido como “Suposto Consenso”.

2. Em outras palavras, o não-cristão não tem, na base de sua epistemologia, nenhuma razão sólida para seu discurso sobre a Verdade (seja ética, moral, religiosa, científica etc), pois não há nada na sua Cosmovisão que sustente tais conceitos. Assim, o não-cristão “pega emprestado” da Cosmovisão Cristã as Pressuposições do Teísmo Cristão para afirmar tais conceitos. Enfim, a Cosmovisão Não-Cristã demonstra-se incoerente e insuficiente.

Postado e Traduzido por Gaspar de Souza

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